segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

REENCONTRO DE UMA PAIXÃO, A ESCALADA.

Eu não quis esperar 2009 para criar meu BLOG, tendo em vista a importância de 2008, o ano em que verdadeiramente me encontrei, reencontrando uma paixão, a escalada.


Voltando no Tempo: meu primeiro desafio.

Há mais ou menos dois anos atrás, em uma tarde deixei a piscina do clube que freqüentava mais cedo e fui com Cassiano testar até então o meu maior medo, o de altura. Nesse dia encarei meu meu primeiro desafio. Escalada indoor, tope rope, muito frio na barriga.
Contudo, tirei o pé do chão, comecei a escalada, as agarras não foram o maior desafio. Iniciei a via, provavelmente de 4° grau sem maiores dificuldades. Porém depois dos primeiros metros longe do chão insisti pra descer, enjoei muito, suei frio nas mãos, parei por alguns minutos pra descansar e logo fui tomada por uma vontade imensa de prosseguir.Insisti na escalada, cheguei até um teto que ficava há uns nove metros do chão, minha primeira conquista. Fui mais forte que o medo de altura!

Alguns dias depois, fui escalar na rocha, Totonho um 5° sup em rocha basáltica. Incrivelmente em menos de 5 dias de escalada eu mandei a via, de top, é claro! Animei com a escalada, mas ainda sentia muito medo de altura, os enjôos eram frequentes, mas a vontade de escalar, maior.

Totonho, dessa vez guiada. Leo na SEG pôde presenciar meu sorriso, Outubro de 2008.

Conversando com um grande amigo da faculdade que também escala, o Robson, resolvi comprar uma corda estática em sociedade, ia começar a malhar as vias, montar o top por cima e malhar, malhar.

Porém, fui surpreendida com uma ótima notícia, fui aprovada na seleção de mestrado em Florianópolis, (sou de Guarapuava, interior do Paraná). Mudanças, morar sozinha, renuncias, não escalei mais.

O Reencontro

2008, concluí os créditos do mestrado, tempo livre, passei a fazer trilhas, quase todas as da Ilha. Fiz também a trilha que leva a maior montanha da região de Floripa, o Cambirela com seus 1043 metros esculpidos em granito e riolito. Foi nessa trilha que eu decidi que era hora de voltar a escalar, porque eu sou do tamanho do que vejo e não do tamanho da minha altura (Fernando Pessoa).

Topo do Cambirela, Março de 2008.

O tempo passou e eu me dediquei às leituras de mestrado e trilhas. Até que no mês de Maio aconteceu uma viagem inusitada. Um amigo escalador que havia conhecido em um simpósio no Rio de Janeiro no ano anterior, mandou um scrap sugerindo que rachássemos combustível em uma viagem para um Simpósio em Santa Maria no Rio Grande do Sul.

Junto viajaria Karla, também escaladora.Resultado: Me joguei na trip com eles, seminário, camping selvagem e meu reencontro com a escalada. Pedro e Karla, muito obrigada! O 5° grau que fiz com vocês foi o mais valioso, saí das vias mais feliz e percebi que a altura já não era mais o problema e sim a solução.

Escalada em Santa Maria/ Rio Grande do Sul, Maio de 2008.

No dia 16 de Junho de 2008 passei a treinar forte com o Biro-Biro, aprendendo a escalar, superar limites, dominar a técnica. Foi difícil, nos primeiros dias nada rendia, os lances pareciam impossíveis, 7° grau, nem em pensamento.

Por vezes saí triste dos treinos. Mas não desisti, pelo contrário, o não conseguir me incentivou na busca pelo conseguir. Devido a persistência, nas férias de Julho consegui junto aos escaladores de minha cidade natal, em top rope meu primeiro 7° grau. Via: perdidos à noite, nos arenitos devonianos do Salto São Jorge em Ponta Grossa - Paraná. Minha pequena grande vitória, é possível vencer um sétimo grau.

Daí em diante não parei mais de escalar. No muro do PIB guiei pela primeira vez no final de Julho. No segundo semestre conheci Andréa e Simone, escaladoras muito fortes, subi o morro da Cruz com elas, escalei guiando um 6° grau, (entrei só pra costurar a primeira, e acabei finalizando a via). Nesse mesmo dia mandei em top um 7a e um 7b. Bob Filho e Bob Pai. Muita felicidade.

Guiando, via: Grampos Tortos, Morro da Cruz, Florianópolis,2008.

Tempos de resina

Começa a chover constantemente na Ilha, a escalada fica restrita a resina. Só voltei a escalar na rocha em Florianópolis em Novembro. Aproveitei a visita de Pedro, pra fazer vias longas na Barra da Lagoa e rever as vias no Morro da Cruz. Depois disso, tivemos um único domingo de sol e o mundo desabou de vez em Santa Catarina, chuva, tragédia, tristeza. Fiquei semanas sem treinar.

Treinos no muro do Biro, novembro de 2008.

Agora, final de ano mais mudanças na minha vida, temporariamente no Paraná onde voltei a escalar em São Luis do Purunã, setor 1 e 2. Descobrindo um novo desafio, o de vencer meu psicológico nas guiadas.

Finalizando o texto, no dia 16 de dezembro exatos 5 meses de treino consegui escalar o grande teto da campo base, um 7C alucinante. Em breve, novos relatos, de trilhas, escaladas, medos, inseguranças, e as pequenas grandes vitórias de todo dia.

Grande teto da Campo Base. Curitiba -PR, Dezembro de 2008.

Um comentário:

  1. é isso aee
    =D
    escalada sempre...
    ela é conpletament apaixonante
    *-*
    beijo eliza
    KaMONN

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