segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

ESCALADA EM GUARAPUAVA

Final de dezembro, chego em Guarapuava, uma cidade de quase 200.000 mil habitantes localizada no interior do Estado do Paraná. Cidade com temperaturas amenas o ano todo devido à altitude, acima de 1100 metros. Ocupa o alto dos derrames de platô ocorridos no Mesozóico. Minha cidade natal.

Guarapuava ao fundo. Dezembro de 2008.

No Natal aproveitei pra rever as vias da Praça da Fé, uma antiga pedreira abandonada. A escalada neste local ocorre em uma rocha bem peculiar, os riolitos, rocha vulcânica ácida. "Quanta saudade das aderências dos granitos de Floripa''. Os riolitos assim como os basaltos são lisos como sabão.
Nesse primeiro dia de escalada “aclimatei” na Totonho, Tetinho e aproveitei pra entrar em uma via que ainda não conhecia, à Rampeira.

Léo, guiando a Tetinho

Na rampeira problemas, Léo não conseguiu passar o segundo crux e de lá rapelou usando uma malha, tentei subir pra ver se achava a passada. Não obtive sucesso.
No dia seguinte retornei à Praça com Fabinho, nossa primeira missão foi recuperar a malha de Léo.
Fabinho entrou na via bem, porém, quando foi tentar a passada que eu e Léo não conseguimos, queda! Eu havia esquecido de ancorar, subi e bati minha mão em uma rocha pontiaguda na via, não senti dor na hora, mas tive um corte profundo no dedo. Mais uma vítima da Rampeira. A primeira de SEG, (Piada).

Tudo isso! De um dedo só!

Após cuidar do ferimeto, Fabinho voltou pra via, dessa vez sem quedas. Eu subi de segunda, não tive nenhuma queda, coisa rara na Rampeira. Na hora de rapelar não consegui, dedo inchado e muita dor.

Eu - Topo da Rampeira.

Depois da Rampeira troquei o curativo do dedo, esperei alguns minutos e fui malhar a Guitarra. Uma via curtinha e linda com saída de equilíbrio seguida de abaulados difíceis de segurar em um negativo. O final da via se dá em uma chaminé. Não sabemos o grau da via, mas ela é muito legal. Depois por insistência de Fabinho e Léo, entrei guiando a Entre Veias um 6° Sup, abandonei na penúltima chapeleta. Mais uma vez com medo da queda. Fazendo a via de segunda tive a certeza que teria tomado queda, no exato ponto em que desisti de escalar, caí. Não sei se ter evitado a queda foi bom ou ruim. Depois disso, casa. À noite malmente conseguia mexer o dedo.

Entre Veias.

Um outro dia, um outro setor.


Setor Cascavel
Além das vias da Praça da Fé, há dois outros setores de escalada no município, Setor Pinhalzinho e Setor Cascavel.

Cachoeira - Setor Cascavel.

Ambos localizam-se no distrito de Entre Rios, em áreas de quebra de relevo, quais garantem o afloramento de rochas e cachoeiras. Por enquanto, o setor Cascavel conta com três vias, Enviados, Nojentona e a primeira via de 8° grau de Guarapuava, Metamorfose.

Alan, início de um Crux sem fim- Metamorfose, ele consegue fazer toda a via!!!

Senti o veneno da Metamorfose, saída em negativo, muita força, e depois equilíbrio e força ao mesmo tempo. Fiz apenas a saída e o final da via, roubei na corda pra terminá-la. Até então não fazia idéia de como era escalar um oitavo grau. Muito difícil. Pro outro dia ficou a Nojentona, uma fenda pra escalada em móvel.

Um comentário:

  1. Nossa quanto sangue... Fiquei olhando sem ver a legenda e achei que fossem amidalas ou outros minerais do basalto.
    Está ficando legal o blog...
    beijos

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