sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

AS NOSSAS ROCHAS DE TODOS OS DIAS, OU QUASE.

Eu gosto muito de uma citação do professor Bigarella, ele diz que as rochas são como chaves que permitem a interpretação de processos pretéritos que conformam à paisagem de nosso planeta. Talvez por isso eu seja tão apaixonada por petrologia. O estudo das nossas rochas de todos os dias, ou quase. Rochas que são divididas em ígneas, sedimentares e metamórficas. Cada qual revelando ambientes pretéritos distintos, arenitos podem indicar antigos ambientes marinhos ou ainda, paleodesertos, caso do Botucatu. Rochas calcárias indicam antigos lagos e mares e as rochas ígneas efusivas remetem a atividades vulcânicas. Como os derrames ocorridos no mesozóico, maior derramamento de lavas já ocorrido no Planeta Terra representados pela Formação Serra Geral da Bacia do Paraná. O vulcanismo mesozóico garante hoje a minha escalada aqui no interior do Paraná, qual se dá em rochas efusivas ácidas e básicas.
Meu estudo que envolve petrologia me instigou a escrever um pouquinho sobre esses agregados de minerais e até de matéria orgânica que conformam afloramentos lindos e diversificados quais proporcionam também escalada distinta. A exemplo, os lindos negativos e agarrões dos arenitos, as aderências característica de corpos graníticos, e a falta de aderência dos basaltos e rochas calcárias. É claro que não vou falar de todas as rochas, elas são inúmeras. Mas no texto vou abordar as rochas mais comuns à escalada. Tive o cuidado de separá-las por grupos.


Rochas Ígneas.

Têm sua gênese associada a materiais muito quentes, fundido (magma), oriundo do interior do planeta. A alta temperatura é a responsável pela formação do magma que após resfriamento solidifica-se formando as rochas ígneas. São intrusivas, quando a solidificação da rocha acontece ainda no interior da crosta terrestre, caso dos granitos e micro-granitos. Extrusivas, quando solidificadas na superfície como os riolitos e basaltos.
A maneira que as rochas resfriam e sua composição mineral variada oferecem texturas diferentes, característica a cada litologia. Por exemplo, os granitos são rochas que tem gênese atrelada a regiões que sofreram intrusão de massa magmática qual se solidificou lentamente dando tempo para maior cristalização, o que resulta na textura grosseira da rocha. A essa textura devemos as aderências encontradas no granito. Já nos basaltos o processo de cristalização é mais rápido, não há tempo para a formação de cristais expressivos, a textura é finamente granulada ou vítrea, portanto, diga adeus às aderências. Eu precisei aclimatar nessas rochas quando cheguei de Floripa. Saudade de travar a sapatilha no Granito Ilha.

Escalada em rochas igneas efusivas - rocha ácida do Tipo Chapecó.

Escalada no Granito Ilha, (Rocha ígnea intrusiva). Barra da Lagoa -Florianópolis.

Rochas sedimentares

É o tipo de rocha mais abundante na superfície terrestre, incluem os depósitos arenosos, argilosos e calcários. Resultam do intemperismo de outras rochas e de materiais de origem animal e vegetal. Há três tipos de rochas sedimentares, químicas, orgânicas ou biogênicas e detríticas.
Quando químicas estão atreladas a processos de precipitação e evaporação de sais solúveis oriundos da alteração química de outras rochas, a rocha é formada através de reações químicas, caso dos evaporitos. Orgânica ou biogênica, quando formadas por resto de matéria orgânica. Detríticas, compostas por sedimentos clásticos. Um exemplo interessante é das rochas calcarias quais envolvem no seu processo de formação sedimentação química e orgânica.
As litologias provenientes de depósitos arenosos apresentam agarras interessantes, agarrões, negativos e lindos tetos. Ambas são mais susceptíveis a processos de erosão quais esculpem as agarras. Nos arenitos temos uma vantagem, certa aderência resultante dos cristaizinhos de quartzo quais ajudam a dar aquela travada na mão e na sapatilha. Aderência que é nula ou quase nula nas rochas calcárias. É nas rochas sedimentares que o risco de quebra de agarras é maior, risco compensado pela qualidade da escalada, que normalmente envolve muita técnica e força ao mesmo tempo. Ainda não escalei em rochas calcarias, mas aprecio muito escalar em arenitos.

Salto São Jorge: Ponta Grossa-PR. Foto: Eliza Tratz.

ArenitoFurnas, há muita controvérsia na sua interpretação paleoambiental. Portanto, estes depósitos podem indicar ambiente marinho raso, ou ainda paleoambientes fluviais. O fato é que no local são encontrados conglomerados, possivelmente de origem fluvial, enquanto que a caracteristicas dos arenitos infere ambiente marinho raso, há fósseis de pequenas conchas.
Não seriam resultantes da interação destes dois ambientes?


Escalada no arenito Furnas em São Luis do Purunã.

Parede em rocha calcária: Fonte: //lh4.ggpht.com/_ZzX5AfoQcG8/Ry5A92a6rCI/AAAAAAAABkM/hULbyLwPZ9g/Minas+Gerais+015.jpg


Rochas Metamórficas.

Como o nome sugere a gênese dessas rochas está associada a mudanças provocadas por altas pressões, temperatura muito elevada e condições de ambiente químico- físico predominante no interior da crosta terrestre. Estes processos atuam na recristalização da rocha, qual pode ser total ou parcial. Na maioria das vezes o processo de recristalização é parcial. Porém, em alguns casos a estrutura cristalina é inteiramente modificada (BIGARELLA et a, 1985). A exemplo, temos os gnaisses e milonitos cuja origem está associada ao metamorfismo de rochas ígneas. Outro exemplo são os quartzitos resultado do metamorfismo de depósitos arenosos, os arenitos. Na maioria das vezes essas rochas apresentam boa aderência. E no caso dos quartzitos agarras relativamente grandes. Interessante é que estas rochas não são tão abrasivas, sobretudo quando comparadas aos granitos, quem nunca ralou os dedos no granito? Com exceção dos quartzitos os milonitos e gnaisses são rochas de maior resistência a processos erosivos, dá pra confiar um pouquinho mais nas agarras dessas rochas.

Um dos ícones da escalada do Brasil - Pão de Acúcar - Gnaisses

Gnaisses - Originadas do metamorfismo do granito. Pão de Açúcar. Foto: Eliza Tratz

REFERÊNCIAS:

BIGARELLA, J. J.; BOLSANELO, A.; LEPROVOST, A. Rochas do Brasil. Rio de Janeiro: LTC, 1985.
MELFI, A. J; E, M.PICCIRILO; NARDY, A, J, R.Geological and magmatic aspects of the Paraná Basin – an introduction .In: MELFI, A.J. The Mesozoic flood volcanism of the Paraná Basin. São Paulo, Universidade de São Paulo, 1988. (p.01-11).
http://www.cdcc.usp.br/quimica/ciencia/cavernas.html as fendas.

4 comentários:

  1. Genial! Muito bom, Eliza!
    Sempre achei que aquela separação , ou fenda, do parque São Jorge em Ponta Grossa, fosse um terremoto de há muitos anos atrás. Tem fundamento essa minha teoria, nada baseada em conhecimentos geográficos, já que não os tenho?
    beijão, seu blog tá cada vez mais criativo!
    Parabéns!

    ResponderExcluir
  2. Assim Carol,as rochas são devonianas,têm 400 milhões de anos de idade. Mas as fraturas encontradas nessas rochas são mais recentes, datam do Mesozóico, mais ou menos 130 milhões de anos atrás, no Cretáceo. A América separava-se do continente Africano o que promoveu a movimentação das placas, ocasionando falhamentos e fraturas diversas. Supõe-se que a movimentação das placas gerou tremores sim!
    Beijo e obrigada por comentar.

    ResponderExcluir
  3. Oi, Eliza!
    Vi este livro e lembrei de você e seu post de rochas! :-D
    http://climbing.about.com/b/2009/02/11/flakes-jugs-and-splitters-new-climbing-geology-book.htm

    Beijos!!!
    Yuri

    ResponderExcluir