quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

CARNAVAL E AVENTURA NO PARQUE SÃO JORGE


E tudo começou mais ou menos assim:

Aline: _ Eliza estou ligando pra avisar que os meninos cancelaram a trip, problemas no carro.
Eliza: _ Ah sério!!! Que M?°³£!!! Ônibus então?
Aline:_ Fechou! Que horas?
Eliza: _ Amanhã antes da escalada passamos na rodoviária e escolhemos o melhor horário.



Destino: Salto São Jorge

O ônibus escolhido saía às 8 horas da manhã de sábado. Ônibus metropolitano, valor da passagem: R$ 11,90 com direito a ir sentado... Sentado na escada! Isso mesmo, toda hora que um passageiro desembarcava levantávamos descíamos as escadas e depois embarcávamos novamente.
Após uma hora de viagem a sorte mudou, um frei simpático avisou durante uma “escala” em Prudentópolis que havia vaga em outro ônibus e que este iria direto.
Da classe muito econômica à primeira classe, e sem pagar nem um real a mais. Agora tínhamos poltronas reclináveis, ar condicionado, água e bem menos tempo de viagem. O que significava minutos preciosos na rocha.
Chegando em Ponta Grossa, almoçamos antes do meio dia e seguimos para o Parque São Jorge. Não foi fácil chegar lá.
Da rodoviária rumo ao terminal de Uvaranas onde pegamos outro ônibus, San Martim, qual nos deixou mais perto da estrada que liga ao Parque São Jorge. Do local onde o ônibus parou até a entrada do parque são 8 Kms.
Decidimos pedir carona! Ops, duas orgulhosas juntas! Não pedimos carona. E como disse Aline... Nossa moral estava muito baixa, ninguém ofereceu carona.
8 Kms a pé, com corda e mochilas pesadas. De brinde, um sol forte e quase nenhuma sombra. Acreditem, fizemos o caminho rindo.

Carona?

Enfim, avistamos a placa do parque, comemoramos! Porém, ao chegar mais perto, uma plaquinha menor indicava, Canyon do Rio São Jorge - 3 kms.

Mais 3 Kms - 11 kms a pé.

Putz, mais 3 kms a pé. O tempo começou a fechar, caíram alguns pingos de chuva. Aquela coisa, sol e chuva e o medo de que a trip terminasse em água.
No camping uma cervejinha enquanto estudávamos o croqui das vias. Sinais de cansaço, e a vontade de mandar um 7b pra finalizar o fim do dia e o início de novas escaladas. Pra nossa felicidade o 7b rolou, Fissura da Jararaca, uma fenda linda e venenosa.

Mais tarde subimos pra desmontar o top, paramos para apreciar a paisagem, fizemos um lanche, trocamos idéia com outros escaladores, conhecemos um casal muito gente boa, Malu e Binho. Enquanto a gente sofre nos 6°s e 7°s, eles malham os 8°s e 9°s.

Eu, Aline e o Salto

Entre lanches e conversas o tempo começou a fechar, mesmo assim aproveitamos o top montado por Binho e Malu pra entrar na Paleolítico, o teto dessa via me fascina. Na escalada, o claro de um trovão, e outros clarões, estávamos diante de uma tempestade elétrica. Não insisti na escalada. Saímos em busca de abrigo pra passar a noite.
Nos acomodamos em baixo de uma laca. Não tínhamos lanterna. Até acharmos uma vela éramos iluminadas apenas pelos raios. Tive medo, começou a ventar.
Pra descontrair, castanhas de caju, uva passas, suco de guaraná entre outras guloseimas. A chuva caiu forte. Sozinhas, em baixo de uma laca e longe do camping quando um barulho sinistro cortou à noite, como se tivesse caído algo. Torci pra que não fossem rochas, afinal, elas eram nosso teto.

Tempestade e busca do melhor local pra dormir.

Bivaque

(No dia seguinte fazendo uma trilha descobrimos a causa do barulho estranho da noite, uma árvore caiu durante o temporal. Aconteceu um fenômeno conhecido como cabeça d’água, a vazão do rio aumenta muito em pouquíssimo tempo em virtude da precipitação na cabeceira, a força d'água arrasta tudo, até árvores).

Árvore arrastada pela força d'água

O sono veio os morcegos e pernilongos também. Diz Aline que no amanhecer choveu, eu não vi nada. Quando acordei havia indícios de sol.
Café da manhã, escalada, vias diferentes, adrenalina, conglomerados psicológicos, uma quase queda horrorosa depois da primeira costura. Decepção após uma guiada estressante. Quase chorei em um platô. Aline não desanimou, e quando vi estava malhando outra via. Via difícil, não achava as passadas, comecei a estressar. Não tinha capacidade pra mandar um 6° Sup. Mesmo assim, insisti, falava pra Aline, se essa via for um 6° sup como está no croqui a Vatapá é 5° grau.
Aline entrou na via sem sucesso também. Eu voltei a malhar a via, fiz a passada, outro lance, dedos sangrando, quase no topo vi Binho, ele me perguntou rindo, que via é essa? Eu disse, Castilha sem mancha, ele fez sinal negativo, e disse. É a porta retrato, o 7b mais difícil daqui. Eu não sabia se ria ou se chorava. Após esse perrengue, Aline insistiu na via, mandou também. E voltando a falar na Castilha sem mancha, ô via difícil mesmo, a experimentei depois, 6° sup com cara de 7A e bem psicológica. Há de se confiar em conglomerados minúsculos.

Escalar, escalar, experimentar movimentos novos, dificuldade, adrenalina, psicológico pegando, medo, dor, limite, liberdade.

Eu- Teto da Zé do Caixão. 6°sup.

Eu- Boulder

Aline - Boulder

Na volta pra casa, trilha, um céu laranja, noite estrelada, campo de vaga-lumes, cometa. Na bagagem, sorrisos e um gostinho da vitória, de ter vencido a tempestade, o medo, o desânimo. De brinde, carona da Malu e do Binho. Porque além de pedras encontramos pessoas especiais no caminho.

Aline, Binho e Malu.

6 comentários:

  1. hahahah
    muito bom!!
    uii não vejo a hora de repetir a dose! opkepokekope
    tudo planejado de ultima hora, sem pensar que ia ser dificil, e quando tava dificil.. agenti ria!! hahah e quantas coisas boas que aconteceram... aquele por do sol foi um dos mais bonitos que já vi... e a caminhada voltando pra base do parque... só com a luz do céu..perfeita aventurinha! e perfeita sua parceria tb guria! valeu =)

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  2. menina... que loucura!!!
    E a volta como foi? vcs conseguiram carona?
    parabéns pela 7b!! não tenho muita noção do que é isso mas, deve ser o bixo!!
    beijus!!

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  3. Eu já tinha alguma suspeita de que vocês eram doidas, hehehehehauehau... agora é certeza!!! :-D
    Que aventura, hein? Nada como uma pedrinha pra estimular a gente. :-)
    Beijocas!

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  4. Olá Eliza,

    Muito bacana o blog...
    Que roubada essa do carnaval, hein? Ainda mais com raio e tal!!! Sei o que é isso....certa ocasião tive que passar a noite numa parada dupla a 180m do chão(nao estavamos fazendo big wall) por causa de uma tempestade que se formou na face oposta da parede que escalavamos...a corda ficou enxarcada sem a menor condição de descermos nela daquele jeito....Noite mal dormida, muito molhada e super adrenante!!!! Mas no final deu tudo certo!!!
    Parabens pelo 7B...
    Esse lugar que vcs visitaram parece ser alucinante...
    abs
    Fred Viana

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  5. Oi Fred, obrigada pela visita no BLOG,imagino a que nível a adrenalina de vcs chegou na noite da tempestade...Minha aventurinha de carnaval nem se compara...A final, achei uma laca de pedra "bem confortável" pra passar à noite, rsrs, ao menos da chuva nos protegemos...
    Mas essas coisas fazem parte, deixam nossas escaladas mais emocionantes!
    Abraço.

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  6. Muito legal o relato e parabéns pelo blog.

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