segunda-feira, 20 de abril de 2009

DE VOLTA AO BRASIL, CAÇAPAVA DO SUL –ADRENEI, FIZ FIASCO E HOJE COMPRATILHO COM VOCÊS.

Passamos a fronteira, visitamos Bagé, na estrada, campos de girassóis. Na noite em Caçapava do Sul, no Rio Grande, frio quase de geada, noite estrelada. Pequeno mundo, encontros com pessoas conhecidas, de Guarapuava ainda. Mundo pequeno ou poucos escaladores?
Campos de Girassóis na estrada.

Amanheceu, conglomerados psicológicos, eu tenho pavor dessas rochas, sempre acho que eles irão soltar. Além disso, escalada longa, vias em positivo, diferente das vias que estou acostumada.

Conglomerados de Caçapava - Pedra do Leão

Meu psicológico já mostrava sinais de que não se comportaria bem em Caçapava desde o início da viagem quando li nos croquis, rocha: conglomerado. Outro problema, estou acostumada com a proximidade das costuras. Aprendi que é mais fácil guiar um 7° do que entrar em vias menos protegidas. Assim, evito a exposição. Nunca tive queda grande guiando, a queda ainda é um mito na minha cabeça.
Comecei a guiar cedo, ao meu ver, um erro. Um mês e meio após o início da escalada já guiava 5° grau no muro em que treinava e um pouquinho depois, um 6° na rocha, sem cadena, é claro. Nessa fase não tinha medo, volte e meia alguém tinha que me lembrar de costurar.

O medo veio depois com as informações sobre o risco de uma queda grande e com os berros de um colega que surtou quando dei um botinho guiando. Outro agravante é meu histórico, já tive pânico de altura, a escalada me ajudou a superar, mas às vezes esse medo ainda aparece.
Mas, ao contrário do que possam imaginar esse medo me instiga a escalar mais e mais, a vencê-lo por completo. Escalo há 9 meses, minha meta é acabar com essas inseguranças e medos antes de 1 ano de escalada, tenho três meses pra superá-los, sou persistente, não entrego os pontos. Motivação e persistência são minhas palavras preferidas quando o assunto é escalada.

Quem me viu no primeiro rapel há 3 anos atrás, jamais diria que iria escalar, quanto mais guiar um 7° grau. Essas foram às palavras de um parceiro de escalada que montou o rapel na época e fez minha seg quando guiei meu primeiro 7° grau na rocha. Acho que incluo agora no dicionário de escalada a palavra surpreender.


Mas bem, vamos ao relato do fiasco:

A primeira via em Caçapava: três cordadas, 6° grau, sussa, subi de segunda, e na hora de um lance que me obrigou a sair do positivo para o vertical em uma travessia aérea, pronto, olhei pra baixo, bem mais de 50 metros de desnível, bem, bem acima da copa das árvores.
Meu psicológico começou a pifar, dizia: - você vai pendular, não irá vencer o lance, vai voar feito passarinho. O mais engraçado é que se isso acontecesse seria apenas um vôo, nenhum arranhão, cairia no vazio. Mas explicar isso pro meu cérebro é complicado. Enfim, depois de quase desistir do lance fui lá, expliquei pro Sr Medo que ele não ia me dominar, coloquei os pezinhos em um estreito platô e comecei a pequena travessia, aos poucos desclipei as costuras, pronta para o pêndulo pensei. Olhei pra baixo sim! Essa história de escalar olhando só pra cima não me convence, não gosto de disfarces. Depois olhei pra cima, escalada mais vertical, não sei como explicar, me sinto mais a vontade quando no vertical.
Do vertical ao positivo de novo, terminei a via e ainda achei a passada linda o que não teria acontecido se tivesse olhado só pra cima. Na hora de me desencordar e subir até o topo outra novela, achei que ia cair, me perguntava. Como assim? Subir esse lance sem corda? Cadê as chapeletas? Resultado, subi reclamando. Às vezes eu esqueço que em certos lances no positivo é possível caminhar.
No topo, o Pedro estranho, pálido, indícios de uma intoxicação alimentar que o levou para o hospital, pra ele a escalada em Caçapava terminara ali.
Almocei com as meninas e Luis Persigo, um cara muito gente boa que acompanhou nossa escalada. Eu não parava de pensar no meu fiasco. Como pude adrenar daquele jeito? Que horror! Me senti envergonhada, subi um trecho até o platô do almoço de uns 10 metros, pouco mais, não usei a corda , precisava me testar, não sou de me acomodar!
Após o almoço eu e Mayara começamos a enjoar, insisti na escalada, guiei um 6° sup, uma via de força, negativa, tipo de via que eu adoro! Uma guiada bem tranqüila, sem adrenar.

6° Sup - Guiada tranquila.

Terminei essa via, meu enjôo piorava. Se quer consegui entrar de segunda em uma via linda que a Karla guiou, Silêncio dos Inocentes.
Com tremores de frio e o enjôo piorando entrei em uma via, 5° que dava cume, faltando 1 grampo pra terminar a via desisti da escalada, adrenei de novo, além disso, foi o tempo de fazer o rappel para eu vomitar, intoxicada também.

Desisti da escalada faltando um grampo pra terminar de costurar essa via.

Após vomitar melhorei um pouquinho, mas o enjôo deu lugar à enxaqueca. Mesmo assim, subimos até o cume, desta vez caminhei tranqüila por lá. Do cume, o por do sol e a lua mais linda que já vi.
Por do sol visto de cima da Pedra do Leão.

Volta pro camping, tremores de frio e dor de cabeça, infelizmente foi assim que terminou as escaladas em Caçapava do Sul.
De Caçapava do Sul para o Pico da Canastra, 130 metros de escalada vertical. Via porca tróia: 7 a, meu maior desafio dessa trip, também gosto dessa palavra.
Nas fotos: Eu, Luis, Karla e Karla e Eu.

Um comentário:

  1. Uhhhhhhhh... além do lugar, mas q amiga sua bonita hein....

    Camada

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