segunda-feira, 15 de junho de 2009

OS ARENITOS DOS CAMPOS GERAIS

Buraco do Padre. Foto: Eliza Tratz

Vontade de jogar a corda e as costuras no lixo é pouco. Foi assim meu primeiro dia de escalada em Ponta Grossa. Negativo que era minha fissura quando treinava na resina virou um suplício.

Buraco do Padre, um setor lindo, companhia excelente, Aline, Malu e Binho, mas o estresse da Eliza estava complicado. Já havia chegado decepcionada no setor, triste, e tudo isso por conta de um boulder que demorou a sair e quando saiu, saiu feio nas vésperas da viagem.
Não nego, o grau é importante pra mim, é a escalada esportiva que me fascina e ponto. Pra piorar um diagnostico nada bom, tendinite no pulso direito, dor de mais. Costurando uma via de 6° percebi o quanto estava ruim, ruim em tudo, faltava, força, técnica, equilíbrio, confiança, tanto que costurei três vezes errado, palavrão foi pouco. O detalhe foi fazer tudo isso com a costura longe do pé e sem dar chance pra queda. Pronto, meu psicológico foi embora outra vez.
Mas como Murphy é meu amigo é claro que as coisas pioraram, após o almoço olhei meu pulso, uma bola... Dor é pouco, foi de chorar em uma via. É claro que continuei insistindo na escalada até uma hora que não deu mais .
Rumei para o setor macarrão triste, me sentindo um lixo. Foi muito foda. À noite as coisas melhoraram, foi uma delícia, Malu eu e Aline e muito conversa engraçada, rimos muito. Algumas coisas engraçadas como um porco do mato psicológico que me fez correr feito louca e escalar até o platô onde dormiríamos no escuro (O porco do mato? O ronco do Binho na barraca). Na alvorada, grunhidos e uivos, dessa vez o bicho já tinha nome, Alan e Fernando. Eles pensam que é fácil assustar essas meninas. hahahaha.
Hora de escalar de novo, mas desta vez eu estava sem confiança, não confiança pra guiar, pior que isso, confiança em mim, nos meus movimentos, parecia que estava escalando pela primeira vez, as barrigas em negativo que eu tanto adorava pareciam monstros de pedra, definitivamente eu estava péssima, entrei em uma via de 6° El Corazion, xinguei a via até mandar às favas, parei na segunda costura. A via não é feia não, bem clássica, bem protegida, mas pra mim era horrorosa, tudo estava horroroso. Essa via foi cadena pra Aline, mandou bem na barrigona.
Eliza de péssimo humor por mais um dia. Eu dormi com a bunda fora das cobertas mesmo, o zíper do meu saco de dormir estragou, passei frio durante o bivaque. Conversa vai, conversa vem e logo me apaixonei por uma via, El concha, linda de morrer, entrei de top-rope, ela deve ser um 7b ou 7c, malhei a passada da concha mas não obtive sucesso. Deixei a La Concha e fui pra uma via de 7° no lado, Manga Pera eu acho, outra via linda. Fiz um dos lances chatos da via, pronto, me animei, um sorrisinho apareceu maroto pela primeira vez. Já sem braços fui tomar banho com a Aline. Banho de rio e gelado no inverno, pra levar a tristeza embora. Na janta o Fernando fez uma lentilha dos deuses, comida quentinha, não via há dias... Eu e Aline temos uma capacidade incrível de sobreviver a frios e bolachas. Hora de dormir, muito engraçado, os meninos pra barraca e as meninas pro bivaque. Nada como dormir coladinha na pedra.
Acordamos com um despertador chamado nega, tomamos café e fomos pra pedra, entramos em um 7b lindo, diferente dos outros dias eu estava confiante, acreditando em mim, passei o crux da via na segunda tentativa, um dinâmico lindo. Gritei a hora que segurei na agarra certa, foi muita felicidade. A Eliza estava de volta.
Malu e Binho, obrigada mais uma vez, vocês são uns amores. Aline valeu pela paciência, aturar o humor negro da parceira não é fácil
E vocês acreditaram que eu ia jogar meus equipamentos fora? Hahahahaha, contando os minutos pra voltar pra Ponta Grossa. Foi tudo muito ruim e muito bom.

“Saldo” da viagem:
Pulso direito imprestável, prometo ir ao médico se a dor e o inchaço não passarem até amanhã.
Joelho direito, quase imprestável, ao menos só dói pra descer, não impede as escaladas.
Barriga, além das dores proporcionadas pela escalada vários arranhões da nega.
Um galo também no lado direito da cabeça, um cachorrinho fofo perdeu o controle e se jogou em cima de mim, a batida foi forte.
O lado esquerdo, coração feliz de novo.

Algumas das fotos que consegui passar pro computador, perdi várias na hora de transferir o arquivo.


As andorinhas.
Bivaque. Iluminação. Os campos Gerais . Eu na La concha. Aline na La Concha.

6 comentários:

  1. Coincidencia.
    O Murphy foi meu amigo durante esse final de semana também,rs.
    Pena que no saldo físico tenha sido ruim, mas no saldo espiritual tudo deu certo.
    Lindas fotos, principalmente a ùltima.
    Parabéns.

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  2. Olá Eliza

    |Estes tempos estou com mais tempo livre.. Acho que dá para um fds para conhecer lugares novos...

    Você tem tempo para escalar por este lugar aí que mostrou no blog? Me interessou muito.

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  3. Oi menina!!!Fazia tempo que eu não entrava por aqui!!!Que lindas fotos! Eu estou no Rio Grande do Sul, morando por aqui, já escalei, tudo muito show, tem lugares ótimos!Já disse para o Pedro que espero vcs para irmos para o Uruguai :) Amiga, não se cobre tanto hehehe, lembre-se que o melhor escalador é aquele que mais se diverte ;) Mas fico feliz e orgulhosa de ver a mulherada se puxando, evoluindo pra caramba!!!Vms combinar umas cordadas femininas grande beijo e keep climbing

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  4. Vias lindíssimas hein!!!
    É isso aí, a Alessandra está certa, não exija muito...deixe rolar!
    bjs

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  5. Eu adoro Arenito, desde que tenham idades paleozóicas e no máximo jurássicas com boa silicificação. Também adoro os Campos Gerais, na verdade amo esta paisagem que lembra do pleistoceno, o melhor período geologico que este planeta viveu!

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  6. Oi...te axei...hehehe
    Esse fds foi mto bom mesmo...adoro ter companhias femininas para escalar, já q nunca tenho.
    Eliza, os anos de escalada me ensinaram q há dias e "dias" de escalada, depende mto de nosso espírito e nossa mente.."mente sã, corpo são"...
    e larga mão de se preocupar c grau e curta as vias, se diverte!
    Vc e Aline sempre serão bem vindas em nossos cantinhos...
    bjinhos

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