segunda-feira, 27 de julho de 2009

ESCALANDO NA ROCHA, COM CHUVA E SEM SE MOLHAR.


Não é história de pescador. Digo, de escalador.

A previsão para o final de semana era de sol e muito frio, acreditei nisso, pois quando acordei às 05 da manhã de sábado pra viajar até Ponta Grossa vi geada no telhado das casas vizinhas, acreditamos que em dia que geou não chove. No caminho, os campos branquinhos de gelo, até descer a escarpa da Esperança, quando avistamos nuvens, preferi acreditar que era só neblina. Fato é, que não era só neblina, água mesmo. Chegamos no setor macarrão com chuva, E pra nossa alegria as vias sequinhas. Coisa linda de ver. Os negativos impedem que a chuva molhe as vias. Tirar os equipos da mochila e pedra, dessa vez sem dor no pulso e sem o estresse que me acompanhou da utima vez em que estive por lá.
A primeira via foi a El Corazion a Aline guiou e eu entrei de segunda, foi bem bacana, fofocas na rocha. A propósito, a via é bem bonita, outra percepção entrar nela sem dor e sem estresse.

Aline - El Corazion

Eu e Aline.
Depois da via encasquetei que queria malhar a saída da La Concha, fiquei apaixonada pela via desde a primeira vez que a vi. O problema, dominar uma saída de muita técnica e força. Com a primeira costurada, me joguei, incrível, passei a saída na primeira tentativa, mas no segundo lance, queda. Pagar duas barras e subir no monte. Uii... Mesmo assim continuei insistindo, depois de inúmeras tentativas dominei o lance, mas faltou coragem pra prosseguir, a final é um grau que eu ainda não domino. Vez da Aline tentar. Ela dominou os lances, mas também não prosseguiu (deixamos para uma próxima).
Quase noite, minhas mãos sangravam, hora de parar. Jantinha feita pelos meninos e boas horas de sono.

Até o limite.

Anoiteceu e amanheceu com chuva e as vias secas. Após o café, passei a mão nas costuras, perguntei a Aline se ela estava com paciência, depois de tempo sem entrar à vista iria tentar a mantecol. Costurei a primeira e fui. Senti a força do negativo, toda hora puxando pra baixo. Os calos estourando, e não pensem que eu achei isso ruim, foi muito bom! Gelava toda vez que via a costura abaixo do pé, se isso não acontecer não é a Eliza. Aline a guiou na seqüência, e quando ela desceu, seguimos para o próximo objetivo. Cadena.
Me preparei e fui. Passei as três primeiras chapeletas, na minha opinião e da Aline, o crux, quando cheguei em um platô pensei, vai rolar a cadena, já passaram os lances mais difíceis e de maior desgaste, entretanto, costurei errado, corda invertida. Precisava arrumar a corda, fazer isso com a costura abaixo do pé me angustia, olhei pra baixo, já pensei na queda, fiquei nervosa, não via as agarras e não achava descanso, arrumando a posição da corda não tinha mais braço pra cadena. Quase chorei pela minha imprudência, sentei na corda pra descansar... Segui até o topo da via, fiquei por certo tempo no platô, desolação. Desci, hora da Aline tentar, infelizmente também não rolou cadena, via de muita força, se brincar nos lances ela te joga pra baixo. Quando Aline desceu, paramos para um merecido descanso.

Eu na Mantecol.

Conversamos, que embora não tivéssemos conseguido cadena, o ato de entrar costurando as vias à vista já era uma grande conquista, e isso já é um passo pra evolução. Após o lance, entrei na mantecol de novo, sem braços passei os lances críticos ao meu ver, estava mais perto que nunca da cadena, mas, chegando no ultimo lance , coisa de centímetros pra fechar a via, faltou força, não consegui segurar... Perdi a cadena novamente. Aline subiu pra limpar a via. E da próxima, se tudo der certo encadenamos essa. E buscamos outras vias.
Hora de guardar os equipos e voltar com a companheira chuva. Chegando em Guarapuava, pizza gigante, banho e cama.

Calos e chuva.

3 comentários:

  1. Menina, preciso muito escalar com vocês!!!!Adoro ver tua coragem e determinação!!kmommmm sempre hehehe Ah, e valeu pelas dicas do Uruguai, vms conversando e qquer coisa te incomodo mais. Por aqui um frio de rachar e eu preguiçosa como sempre.Mas estou escalando todo findi pelo menos.No mesmo lugar.Ai.Rsrsr.Beijos!!!!!

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  2. Tá virando rotina o pessoal ir escalar com chuva e tudo...
    Eita inverno molhado da porra!

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  3. Pois é, o lance é encarar a chuva mesmo, e torcer para escalar o que der, já que estamos no inverno mais molhado dos últimos 60/70 anos. Agora vamos torcer para o verão ser mais seco :-)

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