quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Perguntas que não querem calar.

E assim surgiu uma a pesquisa, um diálogo ocorrido há mais de 15 anos entre professor de Geografia e seus alunos da antiga 5a Série, onde um aluno questiona o professor.


- Professor é verdade que na Serra da Esperança, o morro mais alto foi um vulcão?

O professor responde:

- Sim é verdade, por isso, o morro é mais alto, além do que, este se apresenta em forma de cone.

Algum tempo depois, o aluno ainda não convencido da resposta de seu mestre, e, já com mais estudo, descobre que aquele morro não é nem nunca foi um vulcão, sendo hoje, um morro testemunho de montanhas que existiam ali há milhões de anos atrás.

Este por si próprio descobre que aqueles morros existentes na Serra da Esperança, que nem serra é, representa um grande empilhamento de lavas resultantes do maior evento vulcânico registrado no planeta Terra e, ocorrido a aproximadamente 130 milhões de anos atrás, descobrindo assim, que aquele “degrau”, denominado de escarpa, é apenas uma parte de uma formação chamada de Formação Serra Geral.

Há então existiu um vulcão ali? A pergunta ainda persistia na cabeça daquele aluno do 1º ano do Segundo Grau, hoje Ensino Médio, entretanto nenhum professor respondia com clareza a pergunta que não calava.

O tempo passará, e, o interessante era estudar o por quê que às estrelas jovens são azuis? O por quê que das montanhas “jovens’’ da América de Norte e dos morros antigos e baixos do escudo cristalino existente no Brasil, o por quê que o vulcão Etna estaria para entrar em erupção mais uma vez? Mas nenhum professor havia tido a preocupação de explicar-lhe sobre a Geomorfologia e Geologia local, nem mesmo fora capaz de explicar sobre o por quê do evento vulcânico que gerou as rochas e conformou o relevo sobre o qual está inserido.

Mas por que, alguém nascido na região não iria saber a resposta para uma simples pergunta sobre a Geografia local? Falta de curiosidade? Alienação? Ou este era discípulo do papagaio e só repetia o que o livro didático imposto pelo governo e por gráficas lhe dizia?

E os demais alunos, não tão curiosos assim iriam crescer e repassar para seus filhos um falso conhecimento?

Os anos passaram, àquela matéria passada serviu para responder às questões do vestibular, este aluno entra para a faculdade, e tem sua primeira aula de Geologia no curso de Geografia e, incrivelmente um outro aluno que também cursava Geografia faz uma pergunta?

-Professor é verdade que o morro do Chapéu já foi um vulcão?

Só que desta vez este respondeu, que aquele morro era um morro testemunho, e, que nunca fora um vulcão. E, que muitas pessoas confundiam o evento Serra Geral, que foi uma das maiores manifestações vulcânicas continental registrada na literatura geológica, com processos de erupções vulcânicas ocorridos na atualidade.

Entretanto, sabe-se que derrame ocorrido naquela época havia sido do tipo fissural, a lava era expelida por grandes fendas, ou seja, um evento vulcânico diferente da erupção que ocorre no Etna na Itália, principal exemplo para a explicação de fenômenos vulcânicos.

Enfim o aluno tivera uma aula de Geografia, Geomorfologia e Geologia local, alguém lhe explicará sobre o evento que deu origem a paisagem de sua região.

Mais tarde, este aluno em uma aula de Geomorfologia descobre que os conceitos de montanhas jovens, e, velhas defendidas por Davis, já haviam caído por terra com as Pesquisas de Penck. E, que ainda assim era o conceito trabalhado no atual Ensino Médio.

Anos depois este aluno formado, Geógrafo, torna a questionar a paisagem local e questiona mais uma vez se as características da geomorfologia estariam atreladas as unidades litológicas? Em mãos um projeto de mestrado.

Mais tarde na dissertação, respostas sobre as características do relevo, sobre a existência de litotipos diferenciados que condicionam também relevo distinto, sobre novos litotipos que por ironia remetem a eventos vulcânicos recentes, as lavas pahoehoe por aqui, lavas de mais ou menos 130 M.a. de anos e que se assemelham as lavas oriundas dos derrames que ocorrem ainda hoje no Hawai. E as unidades ácidas, vulcanismo também distinto?

Mais que isso, na paisagem 11 depressões circulares, crateras de impacto ou caldeiras vulcânicas? Uma parte do quebra-cabeça do edifício vulcânico Serra Geral? Quantas perguntas que não querem calar na cabeça deste aluno, ou seria uma aluna?
      Com imensa satisfação que consegui no dia 27 de outubro responder parte destas perguntas sendo que algumas destas respostas chegaram na forma de outras perguntas para mostrar que a ciência está em constante evolução indicando que não existe uma verdade absoluta, como se quisesse mostrar que antes de tudo é preciso questionar.


“ Penso que só há um caminho para a ciência ou para  a filosofia: encontrar um problema, ver a sua beleza e apaixonar-se por ele’’. Karl Popper



Aos meus Mestres com Carinho!




Eliza.




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