terça-feira, 6 de abril de 2010

Feriado de Páscoa em Minas, Uai.

Faço das palavras do Pedro as minhas, repondo as energias em Andradas.
E eu escalei tradicional pela segunda vez... Justo eu que adoro esportiva de preferência vias com chapas uma no ladinho da outra, rs. Pois bem, escalada tradicional não é tão simples assim, é uma escalada de responsabilidade onde o menor erro pode resultar em sérios acidentes, desta forma é sempre bom um curso e escalar com pessoas experientes, eu tive sorte, escalei com o Pedro, Davi e Cíntia. Para acostumar com a rocha entrei na Mogido da Vaca Louca em top-rope, um 4° grau quer virou um 6° estava muito molhada, á água vertia pela fenda o que dificultou a escalada, mesmo assim a fiz sem quedas admirando sua beleza a cada movimento.

O mogido da vaca louca
Urubu na Nóia
Eliza na Nóia- Ops, Urubu na Nóia.
Na sequência entrei na Urubu na Nóia, é claro que a primeira pergunta foi: Cadê as agarras da via??? Heín??? No primeiro momento tive saudades dos regletes do setor cascavel e dos agarrões dos arenitos de Ponta Grossa. Pensei, aonde vou pegar?? E agora? O Pedro me passou os betas e lá fui eu... Ops,,, outra coisa, cadê as chapas de dois em dois metros, eu quero!! Eu havia assistido na casa de Davi o filme do Uruca e as únicas palavras que surgiam em minha cabeça eram... Ô crux... crux... crux... de uma chapa a outra....Os urubuzinhos também riam em minha mente...
Mas lá veio o Pedro com suas táticas...Com uma corda ao lado, ele fez a seguinte pergunta, quer costura? Então vem pegar. Deu certo, eu olhava aquela costurinha vermelha linda, e como um chachorrinho atrás da ração o segui, clipei, mais um pouquinho e parada. Muito bom, deu pra entender como funcionam as aderências na Via Eliza na Nóia, digo, Urubu na Nóia.
Em busca do Nirvana. Após aclimatação...
Nirvana- 3 enfiadas 90 metros.
Para ganhar tempo eu e Pedro guiamos simultaneamente a primeira enfiada, ele fez a seg do Davi e eu da Cíntia, na seqüência fiz de segunda a segunda enfiada, na minha opinião a mais bonita, com direito a uma fenda linda, protegida em móvel. A terceira enfiada eu não pude ver direito, eu estava sem comer desde cedo o que acarretou na queda da minha pressão, por várias vezes vi a montanha ora se aproximando de mim, ora se afastando, suor frio na nuca e mão gelada, pedi para o Pedro retesar a corda com medo de cair e não conseguir voltar pra via, cheguei na parada sem ver muita coisa, sentei um pouco, nesse momento a voz do Pedro parecia estar a kms de distância, melhorei um pouco e comecei a rapelar, até o segundo rapel eu não tinha melhorado ainda,
desci os 62 metros e meio que faltavam tonta, mais do que já sou, rs.

Vista da Nirvana
Eu na Nirvana
Pedro na ultima enfiada

Horas de angustia...
Pra piorar as coisas, em meio à trilha usei uma pedra para me apoiar e senti uma picada seguida de uma dor horrorosa em meu dedo, gritei desesperadamente , a sensação era de que tivessem injetando fogo em meu dedo, esta sensação logo se espalhou pela mão e braço, horrível, eu não sabia o que tinha me picado, comecei a pensar nestes casos de choque anafilático após picadas de animais peçonhentos, ou ainda gangrena do local afetado...chegando em lugar mais claro, estava lá, apenas um furinho no dedo, conclusão, um escorpião..e pior, não adiantava ir para o hospital, não sabíamos a espécie que tinha me atacado. Chorei de dor por horas seguidas, depois minha mão inteira passou a formigar, ficando assim até domingo pela manhã. Suponho que tive um pouco de febre na noite da picada, suei em uma noite fresca e tive uns sonhos bizarros, pela manhã acordei com muito frio e desorientada (mais ainda, rs), não lembrava por que porta eu tinha saído do alojamento e na tentativa de destrancar a porta acabei trancando... Depois disso dormi horas, e acordei bem. Felizmente sem maiores complicações, não sou alérgica ao veneno do bicho. Coisas que acontecem. No mais foi curtir a chuva que caiu com um vinho.
Quanto às escaladas, curti MUITO, agradecendo a cada minuto pelos preciosos minutos naquela montanha linda, cuja face sul faz parte da caldeira de poços de caldas. Lindo o lugar! Minas é tudo de bom!
Agradeço a todos do Refugio do Pântano, e dona Nice, obrigada pela arnica que usei no dedo ferido.
Agora no Paraná, curtindo o frio que chegou por aqui.
Tobi o Mascote do Abrigo.

Um comentário:

  1. Tenho sensações parecidas nessas vias de aderência. Fico falando: "cadê as agarras por@#!" Hehehehe!

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