terça-feira, 25 de maio de 2010

Saindo da Zona de Conforto – Arriscando.

Na semana que passou refleti sobre várias coisas como modo de vida, escolhas, liberdade, felicidade. Desde que voltei para o interior do Paraná as escaladas diminuíram bastante, não tenho ginásio pra treinar, a Praça onde escalava se tornou um local muito perigoso para a escalada, não tanto pelas possíveis quedas, como pelo risco do assalto. A liberdade limitada pela exposição ao risco.

Quanto ao setor Cascavel a falta de treino e o excesso de chuva impedem as escaladas no local. Neste caso, a limitação física. Com isso passei a perguntar: Até que ponto devemos ser submissos a estes limites? Se acomodar no conforto do lar? Passar mais um final de semana assistindo filme? Não!

Definitivamente, no meu conceito de felicidade isso não me basta. Eu quero mais, quero viver. E dentro do meu conceito a felicidade independe de limitações ou de dinheiro. E pra isso é preciso sair da zona de conforto e enfrentar o desconfortável “mundo novo”.

Como desculpa pra horas de felicidade as vias do Anhangava a Festa de Abertura de Temporada de Montanhismo, um convite da Aline, a vontade de rever amigos que lá estariam como a Malu e o Binho e, de novo a palavra limitação. Aline na quinta deu a idéia de viajarmos pra lá, mas ela tinha um problema R$ 50,00 no bolso. Eu uma Mestre desempregada, logo pensei, e dinheiro pra isso? Preciso economizar cada centavo. E o risco da chuva atrapalhar nossos planos?

Mas teimosia é uma palavra que cabe bem tanto para Eliza quanto para Aline, no sábado pela manhã com pouquíssimo dinheiro no bolso estávamos nos encontrando em frente a um Colégio no centro de Guarapuava, de lá andamos mais ou menos 8 kms com as mochilas pesadas nas costas até a BR 277. Tímidas, pedimos um pedaço de papelão no qual Aline escreveu em caixa alta a palavra CURITIBA. Um ''frio na espinha'', vontade de voltar para Zona de Conforto. Desistir do risco seria o mesmo que desistir das horas de felicidade. Estipulamos um prazo de 15 minutos, se não conseguíssemos carona voltaríamos embora. Pra nossa surpresa em 6 minutos conseguimos a carona. Na hora de entrar no carro uma mistura de sentimentos, sensação de medo e liberdade.

Pouco depois das 13:00 estávamos na capital, rumamos da ‘’praça dos anjos’’ a pé até a o apartamento da minha irmã no centro. Lá tomamos café e por um problema no registro do apartamento ficamos sem banho. Precisávamos no encontrar com Malu e Binho no Shopping Estação dentro de pouco tempo...

Eu não suporto ficar sem tomar banho, falei pra Aline que não iria mais pra festa por conta disso.  Como assim, sair de casa toda suada, com cara de ontem? Aline ironicamente perguntou se eu iria hesitar pra sair da atual área do conforto depois de tudo? Pensei nas palavras dela, joguei a mochila nas costas e fomos ao encontro de Malu e Binho. Objetivo cumprido. Estávamos no 5.13 na base do Anhangava diante das tão sonhadas vias de escalada. E, junto de nós a chuva. A limitação do tempo. 

Ainda assim, sem banho e com chuva pude aproveitar, conversa com amigos, quentão e enxaqueca. Voltei para Curitiba o que fez com que me desencontrasse com Aline, Malu e Binho. A chuva impediu a escalada e também que fizéssemos o caminho de Itupava. Mas, buscamos novas alternativas. Eu fiz um passeio cultural com Pedro, uma viagem por 4 países da América Latina no Museu do Olho através das obras de Carlos Alonso, Guayasamin, Martin Chambi, sem contar do imenso prazer de estar diante da obra de Alfred Andersen as Lavadeiras, um retrato da paisagem da minha região. Fomos ainda no museu do expedicionário.
Neste tempo, fiquei sem carga no celular e à noite soube que Aline tinha voltado pra Ponta Grossa com Malu e Binho, encarei o desencontro como a oportunidade de ficar mais um dia em Curitiba. Na segunda fui com Pedro até a Universidade Federal do Paraná, onde começo a avaliar a possibilidade do doutorado na Geologia. Quem sabe não dá certo? Do desencontro a possibilidade, da limitação as novas possibilidades. Basta querer, basta arriscar.

... Diversão e arte...
Um dos ícones do Museu do Expedicionário
Museu do Olho
Guayasamin
El Grito
                                                                                                          Carlos Alonso
     Martin Chambi
Pedro contemplando as Lavadeiras - Alfred Andersen

Um comentário:

  1. Olha como são as coisas, você está entrando no clima, vivenciando justamente as coisas que eu penso, que o Pedro pensa. Coisas estas que vivencio ha 14 anos e mais intensamente nos últimos 6 meses.
    Entra de cabeça nesses ideais, só vão te engrandecer como pessoa.
    Passe a viver e deixe de sobreviver!
    Abração

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