quinta-feira, 3 de março de 2011

Travessia do Pati


Saímos do Vale do Capão cedinho e iniciamos a caminhada prevista pra quatro dias, hora de caminhar, de refletir, de paisagens novas, de adentrar no nada, de voltar no tempo.
Os locais por onde caminhamos foram no passado rota de muitas pessoas no auge do garimpo do diamante, nesta época todo o transporte era feito no lombo das mulas.  Hoje, o transporte de mantimentos às pouquíssimas casas da região é feita da mesma forma, não há energia elétrica, nem estradas, mas há muita beleza. Beleza na paisagem natural, na expressão das pessoas. Essa é a magia da chapada Diamantina.
Focados nesse mix, de tempo, paisagem, pessoas, adentramos no Vale, uma subida íngreme, como nas outras caminhadas e logo alcançamos os Gerais, campos dourados que contrastam com o céu e o verde das montanhas. No chão, cristais e mais cristais, impossível não parar pra garimpar um pouco.
Como fomos sem guia, com um GPS louco, e um mapa baixado da internet, resolvemos pegar a trilha mais demarcada, descemos o Vale, atravessamos o rio, sem querer, fizemos a trilha mais penosa, mas houveram compensações. Paramos algumas vezes para o lanche, o calor judiava. Subimos um trecho do Vale e chegamos à Ruininha, havíamos caminhado 16 Kms. Da ruininha fomos até a prefeitura, uma antiga casa que era usada no auge do garimpo, vendida a prefeitura, por isso, prefeitura.
Eu caminhava junto de Malu, e quase batendo-nos 20 Kms de caminhada ela parou e sentou, eu seguia na frente  quando percebi que ela sentou dei dois passos pra trás dizendo que também iria descansar.  Assim que sentei em uma pedra pude ver uma jararaca enroladinha, certamente o bote seria certeiro na minha perna, ela estava exatamente onde iria pisar, quanta sorte a minha! Desviamos a cobra, apuramos o passo para encontrar com Binho e Toco, passamos por duas propriedades e enfim chegamos na Prefeitura, um casario lindo de frente para o morro do Castelo.
A lua cheia chegara conosco.  À noite, massa, vinho e horas de sono. Voltamos pelo Pati de Cima, subindo o Vale e caminhando pelos Gerais. Café reforçado e horas só de subida, uma serra para subir já no início, quem pensa que a chapada é inteiramente plana é porque não conhece os dobramentos ocorridos na região.
Vencendo essa “serrinha” descemos até a ruininha da onde avistamos o quebra bunda, eu lembro do comentário do Binho, o Marumbi é igualzinho, começamos a rezar pra Nossa Senhora da Panturrilha, deu certo ( risos), vencemos rápido as escalaminhadas do quebra bunda, tínhamos agora o Vale a nossos pés, lindo!  Um lanche no mirante natural, e mais caminhadas, o sol ardia nas costas, eu molhava o lenço e amarrava na cabeça e assim, fomos vencendo os Kms finais.
 De brinde os últimos kms foram feitos à noite, somente com a luz da lua cheia, a trilha ganhou um tom branco azulado, por conta dos cristais. Cenas que jamais vão sair da minha memória.  Não demorou muito e descobri que a luz da lanterna iluminava os cristais de quartzo, garimpagem noturna facilitada  (risos).
E foi assim, a luz da lua que fechamos nossa travessia, em dois dias, metade do tempo previsto.  Um dos 50 Kms mais bonitos feitos até hoje e sem guia, uma vez que não é todo mundo que pode pagar R$ 700,00 para fazer a travessia.

 Do Vale do Capão para Igatu, mais escaladas.



 Os gerais - Foto Fábio Barros - Binho.
 Gerais -Foto - Li Massuqueto - Malu
  Foto - Li Massuqueto - Malu
Ruininha - Foto Li Massuqueto - Malu
 A caminho da prefeitura - Foto: Cleverson Delinski - Toco

Prefeitura
Morro do Castelo
 Mirante natural após a saída do quebra bunda - Foto: Eliza Tratz
Binho - Foto Cleverson Delinski - Toco
 
 As mulas - Foto Li Massuqueto - Malu

 A volta


 As boas horas de caminhada
Volta com  a luz da Lua  - Foto: Binho


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